O EMBAIXADOR
BASEADO EM FATOS REAIS

THE AMBASSADOR
BASED ON A TRUE STORY
SINOPSE
Nascido no Rio de Janeiro, em 1876, descendente de uma das mais ilustres famílias do império, Luiz Martins de Souza Dantas - após seguir uma apreciável carreira diplomática, é nomeado embaixador na França, cargo que ocupa de 1922 até 1944.

Diplomata experiente, Dantas circulava entre os mais altos e restritos círculos sociais e economicos da Europa. Cedo, compreendeu a catástrofe que estava prestes a se abater sobre a humanidade com a ascensão do nazismo.

A partir de 1935, com a sensível piora da situação na Europa, tornou-se cada vez maior o número de judeus que precisava fugir de seus países de origem. A aquisição de vistos de saída do continente europeu passou a ser questão de vida ou morte, e por consequencia uma alta fonte de renda a oportunistas influentes. Nessa época a política brasileira flertava com o nazismo e aos poucos fechava as fronteiras para todos "racialmente" apontados como judeus.

Quando explodiu a Segunda Guerra, o Governo de Getulio Vargas já havia emitido uma série de circulares secretas que proibiam a entrada no Brasil de pessoas "de raça semítica", consideradas indesejáveis.

O Embaixador Souza Dantas decidiu agir de acordo com sua consciência, e contra os decretos leis do governo para o qual ele trabalhava, arriscando sua própria vida e carreira. Assinou pessoalmente vistos e passaportes diplomáticos falsos e/ou ilegais e auxiliou gratuitamente na fuga de Judeus da Europa. Convenceu outros embaixadores em outros postos a ajudarem e fez o que mais estava em seu poder para salvar vidas. Também enviou inúmeras cartas ao governo brasileiro criticando Hitler, que "agia com a truculência de costume", reafirmando seu repúdio ao nazismo.

Para dar um fim às suas "concessões e vistos", o embaixador foi perseguido pelo presidente do Brasil, até mesmo com um inquérito administrativo pessoalmente instaurado por Getúlio Vargas. As penalidades que certamente daí resultariam poderiam ter arruinado sua vida e carreira. Mesmo assim, usou suas conexões nos bastidores do governo para permanecer no posto e continuar a salvar vidas.

Quando o Brasil cortou relações com a Alemanha, em 1942, o processo foi cancelado por uma tecnicalidade e o presidente foi obrigado a abafar o caso, que seria vergonhoso perante a sua nova aliança com os Estados Unidos e os países aliados.

Em 12 de novembro de 1942 as tropas alemãs invadiram o território de Vichy (a parte ainda não ocupada do território francês) e Souza Dantas, com sua costumeira bravura, enfrentou os alemães olho no olho. O embaixador, alertado de que um pelotão militar havia invadido o prédio da Embaixada, dirigiu-se imediatamente para lá, protestando, aos gritos, contra aquela "inominável violação dos mais elementares princípios do direito internacional". A reação da Gestapo foi apontar suas pistolas contra o velho embaixador e prender todos os membros da delegação brasileira.

Mesmo tendo a liberdade como opção, Souza Dantas decidiu acompanhar a representação brasileira (alguns incorporados às pressas ao quadro diplomático) ao internamento na Alemanha, em Bad Godesberg, cidade alvo de constantes bombardeios. Ficaram confinados durante 14 meses e só foram libertados após um acordo da Alemanha com os EUA, em maio de 1944, quando regressaram imediatamente ao Brasil.

Após o fim da guerra, o Embaixador se envolveu na criação da Maison de l´Amerique Latine, em Paris, e depois presidiu o Instituto Francês de Altos Estudos Brasileiros. Em dezembro de 1945, Souza Dantas passa a chefiar a delegação brasileira na ONU, fez parte da Delegação do Brasil junto a Conferência de Paz, em Paris, como Delegado Plenipotenciário e foi um dos principais articuladores para a criação da Organização das Nações Unidas, em Londres em 1946. Sua nomeação foi assinada pelo então presidente Gaspar Dutra.

Souza Dantas morreu pobre, em um humilde quarto do Grand Hotel de Paris, em 14 de abril de 1954. Seu corpo foi transportado de navio para o Brasil, onde foi enterrado um mês depois de sua morte, no cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. Não deixou descendentes.



Luiz Martins de Souza Dantas
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